Uma resenha de “A ossatura do rinoceronte” por Fernando Andrade

A resenha a seguir foi escrita por Fernando Andrade sobre o livro de poemas A ossatura do rinoceronte (Patuá, 2020) de Divanize Carbonieri, que pode ser adquirido aqui: https://www.editorapatua.com.br/produto/112588/a-ossatura-do-rinoceronte-de-divanize-carbonieri

 

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Livro de poemas A ossatura do rinoceronte mistura de maneira harmoniosa  a tessitura do narrar e poetizar com a dinâmica social dos afetos, nos espaços. 

 

Qual seria o espírito de uma dinâmica de uma colméia? Além de uma notável organização social, o que vemos externamente na “casa”, não necessariamente parece ser o que vai lá dentro. Esta posição entre pontos de vistas ao internalizar na nossa mente sobre o lugar do pertencimento, ao mesmo tempo, uma poética do trabalho? Abelhas produzem mel, na mesma interioridade do pertencer à casa, quando não temos uma questão nítida,  as paredes do hexágono dão um tipo de reflexo multisensorial (escrita multisensorial facetada).

Diferentemente de nós humanos que temos lar longe da força de trabalho em um ambiente focado para este sistema operacional. A dinâmica das relações sociais foi muito bem exposta num filme, espanhol, Espírito da Colméia, que usava as abelhas e suas colméias como uma bela metáfora de como os afetos e sentimentos se motivam perante o tipo de relação social e também política que temos ao ver o que nos faz por dentro e num exercício dialético de como produzimos ações-afetos para  externalizar o mundo à nossa volta. Pensei muito nesta funções cognitivas ao ler o novo livro de poemas da poeta Divanize Carbonieri, A ossatura do Rinoceronte, editora Patuá, 2020.

Ao meu ver, há no livro um execício dialético do cotidiano, mas numa espécie de entranha filosófica, onde o texto e seus sentidos se produzem não na latência superficial da leitura-significação, mas na velocidade das sensações do deslize espacial entre linhas verticais versos-palavras, onde para cada freaseado poético, ali, existem inúmeras caixinhas de surpresas semânticas. Dentro de cada poema há uma íntima ligação entre forma e pensamento que ora se estilhaçam ou se concentram em  imagens sonoras e visuais que nunca são nucleadas.

Pensei meu Deus, com a poeta, faz isso? Manter todos os elos aos links, como um hipertexto de som, ritmo, dinâmica social, e reflexão sobre cada área humana do comportamento ou do saber, mas demolindo uma ideia de coesão e unidade textual. O corpo que nos forma depende de como a estrutura dos ossos acontece em cada espécie fisiológica de bicho, gente. Os alvéolos da colméia em sua ossatura, imagetizando o espaço coletivo cênico que fazem dos favos de mel, uma linda carnalidade e ao mesmo tempo – reluzente sonora e vibrátil.

 

Significado de Alvéolo (dica de filme O espírito da colméia)

substantivo masculino Cada uma das cavidades que formam o favo de mel das abelhas. Cavidade dos ossos maxilares em que se engasta a raiz do dente.

 

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Fernando Andrade, 51 anos, é jornalista,  poeta, e crítico literário. Faz parte  do Coletivo de Arte Caneta Lente e Pincel. Participa também do coletivo Clube de leitura, no qual tem dois contos em coletâneas: “Quadris” no  volume 3 e “Canteiro” no volume 4 do Clube da leitura.   Colabora na revista literária Literatura e fechadura com resenhas de livros e cd’s e entrevistas com escritores, poetas e músicos. Tem dois livros de poesia pela editora Oito e Meio, Lacan Por Câmeras Cinematográficas e Poemoemetria, e Enclave (poemas) pela Editora Patuá.   Seu poema “A cidade é um corpo” participou da exposição Poesia agora em Salvador e no Rio de Janeiro.  Lançou, em 2018,  seu quarto livro de poemas,  a perpetuação da espécie pela Editora Penalux. E acaba de lançar, no final de 2019, seu primeiro livro de contos Logaritmosentido, editora Penalux, que pode ser adquirido aqui: https://www.editorapenalux.com.br/loja/logaritmosentido