Um comentário de Ivy Menon sobre o poema “Feiura”

A poeta Ivy Menon escreveu o comentário abaixo a respeito do poema “Feiura”, presente no livro Furagem (no prelo) e publicado na revista Sermulherarte: (http://www.sermulherarte.com/2020/02/a-furiosa-e-incomoda-poesia-de-divanize.html)

 

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Divanize fala por mim no poema “Feiura”. Torna-se voz para milhões de meninas, adolescentes, mulheres, senhoras, vovós que gememos, durante décadas, séculos, milênios, sob o jugo da imposição masculina, paternalista e misógina dos padrões “belo e feio”. Relegando, a nós, apenas a angústia de agradar ou não o espelho, especialmente ao deles. A ditadura da beleza tem nos metido medo. “Não é bonita não tem voz, nem vez”. E nos obrigam a ser cérebro sem corpo, ou somente corpo, ou não ter noção de quem realmente somos. E nos vemos armadas, ao invés de amadas. Sempre na defensiva, para não nos tornamos objetos. Muitas de nós, em incontáveis situações, sucumbimos e nos submetemos. Ainda penso em aplicar botox. E fazer abdominoplastia.

Li e reli o poema inúmeras vezes. Quando dei por mim, estava a pensar no tempo da minha meninice, quando sonhava ser baliza da fanfarra da escola ou, quem sabe, a escolhida para representar a florista no teatro musical, num espetáculo que era apresentado todo ano pela escola. Eu sonhava baixo. Não tinha o tipo de beleza padrão da época. Eu era magra, cabelos lavados com sabão de soda, cheia de cicatrizes nas pernas, nos braços e na alma. Eu era feia. Será?

 

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Ivy Menon é poeta, advogada, pós-graduada em Filosofia e Teoria do Direito, Bacharel em Teologia. Nasceu em Cornélio Procópio, o Norte Velho do Paraná. Boia-fria até os 20 anos, Ivy, desde pequena, amava os livros e os bancos da biblioteca. Depois de sair da roça, trabalhou em O Diário do Norte do Paraná, em Maringá, onde deu inicio em uma carreira de jornalista autoditada. Atuou em jornais e assessorias de comunicação, tendo sido, inclusive, Chefe da Seção de Impressa do Tribunal Regional do Trabalho, em Cuiabá, e do Cartório da Justiça do Trabalho, de 2010 a 2013, ano em que se aposentou. Hoje, mora numa chácara, no meio das araucárias, na zona rural de Rio Negro, região metropolitana de Curitiba. Em 4 de dezembro de 2006, venceu o I Concurso Carioca de poesia promovido pela Associação Brasileira Cultural de Apoio à Cidadania (Abraci), que contou, entre as parcerias, com a Academia Brasileira de Letras (ABL), Como prêmio, teve publicado seu primeiro – e único – livro de poesia, Flores Amarelas. Ocupou a Cadeira n. 31 da Academia de Letras de Maringá. Foi uma das finalistas do Prêmio OFF FLIP 2018 e 2019, na categoria Poesia.