Comentário de Roberta Gasparotto sobre o conto “Mesa-redonda”

O comentário a seguir foi enviado pela escritora Roberta Gasparotto sobre o conto “Mesa-redonda”, presente no livro Passagem estreita (Carlini & Caniato, 2019), de autoria de Divanize Carbonieri.

 

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“Mesa-redonda” é um conto forte, sensível e, principalmente, necessário. Não há como, sendo mulher, não nos identificarmos com  o profundo sentimento de rejeição da protagonista, mesmo se for pelo seu avesso: que mulher nunca se flagrou fazendo sacrifícios e perdendo um pouco de si, para agradar aos ditames alheios? Ao mesmo tempo, se formos suficientemente sinceras, além de nos identificarmos com a protagonista, também nos identificaremos – ai, que medo – com os antagonistas, que julgam, e são cheios de preconceitos. Nós todos, tão cheios de preconceitos. Sofrendo e fazendo sofrer. Tantas vezes oprimidos, tantas vezes opressores. E, para evitar cairmos nessa armadilha, ou, melhor dizendo, para sairmos dela mais cedo, já que a queda é inevitável, nada melhor do que a constante reflexão sobre os moldes que nos querem enfiar goela abaixo. Conto não apenas necessário. Urgente!

 

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Roberta Gasparotto é gaúcha de Passo Fundo, mas reside em Brasília desde os seus quatro anos de idade. Formou-se em Psicologia e  trabalha com crianças e adolescentes vítimas de violência. É pós-graduada em Língua Portuguesa, com ênfase em produção textual, já intuindo, talvez, que seguiria no mundo da escrita. Em 2019 publicou mil mulheres cabem em mim, um romance autobibliográfico. Atualmente divide seu tempo entre trabalho, filhos e os escritos que publica nas redes sociais, como uma forma de partilhar seus anseios, angústias e questionamentos.  Além de crônicas, poemas e contos sobre assuntos diversos, possui mais de duzentos e cinquenta poemas com nomes de mulheres e está sempre aberta para novas parcerias poéticas.