Comentário de Maria Eduarda da Silva Brito sobre o conto “Mesa-redonda”

O comentário a seguir foi enviado pela estudante Maria Eduarda da Silva Brito sobre o conto “Mesa-redonda”, presente no livro Passagem estreita (2019) de Divanize Carbonieri. Para adquirir o livro, clique aqui: (https://loja.tantatinta.com.br/produto/passagem-estreita/).

 

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O conto “Mesa Redonda” da escritora Divanize Carbonieri, como todos os contos do livro Passagem estreita, captura o leitor desde o início. Nesse, a narrativa é tecida em torno do  relato de uma mulher inconformada com a  forma do próprio corpo, por ver nele uma deformação, porém, essa deformidade somente  se dá na comparação com  outras mulheres.

Ela confessa uma guerra constante com sua imagem, evitando fotos, espelhos e na recusa  de olhar para si mesma, por exemplo, na intimidade do banho. Em seu registro no conto, ela pontua diversos defeitos em si. Em contraposição, na imagem da professora que a acompanha, só percebe elogios: magra, linda, perfeita, de maneira que a atenção de todos se voltam para a professora,  principalmente na hora da apresentação. Assim, sempre que alguém a elogia ela julga que se trata de ironia, cuja intenção é tranquilizá-la a respeito da própria feiura. Dessa forma, o conto propõe várias questões, entre elas, o atendimento a um mundo em que os padrões de beleza ditam as regras, nas quais especialmente as mulheres precisam se encaixar, isto é, corresponder a certas características, como ser magra, loira e, de preferência, ter olhos verdes ou azuis. O conto propicia essa reflexão, suscitando-nos a pensar até que ponto isso é  medida para o bem-estar ou bem sentir. A sociedade, contudo, não leva em conta quantas pessoas são infelizes em função  desses padrões. A leitura do conto sensibiliza e faz perceber os desafios que ainda precisam ser superados, a começar por esse, deixar as pessoas serem felizes do jeito que elas são ou se sentem bem.

O livro como um todo apresenta ao leitor menos experiente o desafio de pensar e entender a linguagem, mas as suas diferentes histórias contribuem como ponto de reflexão, portanto, ele torna-se uma leitura imprescindível, especialmente para os jovens.

 

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Maria Eduarda da Silva Brito é aluna do 2° ano do Ensino Médio da escola Patriarca da Independência da rede estadual de Mato Grosso, no município de Tangará da Serra. Tem 16 anos e gosta de ler em seu tempo livre. Nos últimos meses, está se dedicando principalmente à literatura mato-grossense.