Comentário de Carlos Machado sobre o livro “Passagem estreita”

O comentário a seguir foi redigido pelo escritor Carlos Machado sobre o livro de contos Passagem estreita (Carlini & Caniato, 2019) de Divanize Carbonieri.

 

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Seus contos são muito bem escritos, domínio linguístico total, fluidez. Lindo. Imagens fortíssimas, claras, poéticas, bonitas. “Tramas” é perfeito. Lindo. Gosto muito quando você é menos engajada (mas isso é um gosto pessoal), embora concorde com a necessidade desses textos, importantíssimos para todos nós: os políticos (contra essa barbárie que vivemos), os que discutem o papel da mulher e do homem, os que explicitam as classes sociais e as disparidades econômicas, culturais etc. (“Estratagema” é incrível).

Uma observação: meus estudos em literatura sempre foram (e são) sobre o espaço. Me interesso pelo “não-lugar” (Marc Auger), pelo espaço psicológico, espaço de trânsito etc. Uma cidade (no meu caso Curitiba) mítica. Uma geografia psicológica/temporal/não definida por espaços dos mapas oficiais… ou seja, sua Cuiabá é o que há de melhor nesse livro. A forma como você lida com os espaços e tempo. Maravilha, Carbonieri. Feliz de ter “descoberto” sua literatura, finalmente.

 

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Carlos Machado nasceu em Curitiba, em 1977. É escritor, músico e professor de literatura e línguas estrangeiras. Publicou os livros A Voz do outro (contos 2004, 7Letras), Nós da província: diálogo com o carbono (contos 2005, 7Letras), Balada de uma retina sul-americana (novela 2006, 7Letras), Poeira fria (novela 2012, Arte & Letra), Passeios (contos 2016, 7Letras), Esquina da minha rua (novela 2018, 7Letras) e Era o vento (contos 2019, Ed. Patuá). Tem contos e outros textos publicados em diversas revistas e jornais literários (Revista Oroboro, Revista Ficções, Revista Ideias, Revista Philos, Revista Arte e Letra, Jornal Rascunho, Jornal Cândido, Jornal RevelO, Gazeta do Povo etc.), participou das antologias “48 Contos Paranaenses”, organizada por Luiz Ruffato e “Mágica no Absurdo”, organizada para o evento “Curitiba Literária 2018”, curadoria de Rogério Pereir. Integrou a lista de finalistas do concurso Off Flip 2019 com o conto “Renúncia”. Fundou a banda Sad Theory, participando dos discos The Lady and the torch (2002), A Madrigal of sorrow (2004), Biomechanical (2006) e Descrítica patológica (2012). Em 2008, iniciou carreira musical solo, rendendo os álbuns Tendéu (2008), Samba portátil (2010), Longe (2012), o DVD ao vivo (Teatro Guaíra) Longe e outras canções (2012), o trabalho em espanhol Los amores de paso (2013), Bárbara (2015) e DESencontro (2017), seu disco mais recente.