Comentário ao poema “(Trajetória)” (Lívia Bertges)

Lívia Bertges escreve o primeiro comentário a ser publicado neste site, a respeito do poema “(Trajetória)” de Divanize Carbonieri, presente no livro Grande depósito de bugigangas (Carlini & Caniato, 2018).

 

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Lascas do poema “(Trajetória)” de Divanize Carbonieri

 

Trajetória: percurso de um corpo no espaço durante a passagem do tempo. Quantos dados descrevemos na procura das funções traçadas no espaçotempo? As mãos desenham trajetórias? O pés prescrevem trajetórias? Quantos corpos emborcam trajetórias ao mesmo tempo? Observar as continuidades. Observar as velocidades. Observar as deformidades de um sistema vivo. De uma escrita aterrada ao chão. De uma escrita balbuciada como fim em rota obtusa. As ações das forças dos sonhos, do susto, do sangue correm ao lado do invólucro em chaga. Dá-se uma lista labiríntica de parênteses sublinhados, espetados no processo contínuo de um viver cerrado. Um (des)falecer elástico, rastro manipulado, rasgos coagidos nos lábios sedentos – prontos a empunhar o sopro da chama fumegante. Prontos ao re(monte), ace(s)so.

 

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Lívia Bertges (1987, Juiz de Fora – MG) é doutoranda em Estudos Literários (UFMT) com estágio sanduíche na Sorbonne Université (Paris, França). É mestra em Estudos Literários (UFMT) e em Langues et Cultures Etrangères (Université Stendhal). Publicou artigos e poemas em revistas, antologias e sites. É editora da revista literária Ruído Manifesto.