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    Sobre Mim

    Divanize Carbonieri é doutora em Letras pela Universidade de São Paulo, atuando como professora de literaturas de língua inglesa na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). É autora dos livros de poesia “Entraves” (Carlini & Caniato, 2017), agraciado com o Prêmio Mato Grosso de Literatura, “Grande depósito de bugigangas” (2018), selecionado pelo Edital de Fomento à Cultura de Cuiabá/2017, “A ossatura do rinoceronte” (2020) e “Furagem” (2020), além da coletânea de contos “Passagem estreita” (2019), selecionada pelo Edital de Fomento à Cultura de Cuiabá/2018. No Prêmio Off Flip, foi finalista na categoria poesia nas edições de 2018 e 2019, e segunda colocada na categoria conto na edição de 2019. Também foi finalista no 3o Concurso da Editora Lamparina Luminosa em 2016. Atua ainda como tradutora, tendo participado da tradução de “Hind Swaraj: autogoverno da Índia de Mohandas Gandhi” e “100 Grandes poemas da Índia”. É uma das editoras da revista literária digital Ruído Manifesto e integra o Coletivo Maria Taquara, ligado ao Mulherio das Letras – MT.

    PRODUÇÃO ACADÊMICA

    Livros, capítulos e artigos acadêmicos.

    PRODUÇÃO LITERÁRIA

    Livros, poemas e contos.

    FORTUNA CRÍTICA

    Resenhas e ensaios escritos por terceiros.

    "na raiz de uma mangueira
    todo radical é como uma rima
    que irradia o tema da grandeza"

    (D. C.)

    Posts do Blog

    Comentário de Camila Santos sobre o conto “Fia”

    A estudante Camila Santos enviou gentilmente o comentário abaixo sobre o conto “Fia” de Divanize Carbonieri, presente em Passagem estreita (Carlini & Caniato, 2019).

     

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    O conto “Fia” que abre o livro Passagem Estreita coloca o leitor mais jovem diante de um embaraço. Estamos acostumados a ler contos e histórias com protagonistas perfeitinhas envolvidas em conflitos às vezes comuns à nossa vida. Mas no conto “Fia” nos deparamos com uma protagonista diferente, ela é puro sofrimento. Como um ser desintegrado da sociedade, a personagem é considerada estranha, e frequentemente maltratada. É como se a ela fosse negado o direito de fazer coisas simples como sair para comprar coisas porque ela não sabe, por exemplo, destinguir o valor das notas do dinheiro que leva, ela é por tudo isso julgada como um ser sem inteligência. Mas “Fia” representa na verdade muitas pessoas invisíveis em função de suas condições sociais, intelectuais ou até por ser mulher e pobre num mundo tão desumano. Apesar do sofrimento, Fia sabe disfarçar a dor sem deixar que toda a frieza e maldade com que é tratada prejudique a sua essência.

     

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    Camila Santos é aluna da escola Estadual Patriarca da Independência, estudante do Ensino Médio inovador.

     

    Comentário de Maria Eduarda da Silva Brito sobre o conto “Mesa-redonda”

    O comentário a seguir foi enviado pela estudante Maria Eduarda da Silva Brito sobre o conto “Mesa-redonda”, presente no livro Passagem estreita (2019) de Divanize Carbonieri. Para adquirir o livro, clique aqui: (https://loja.tantatinta.com.br/produto/passagem-estreita/).

     

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    O conto “Mesa Redonda” da escritora Divanize Carbonieri, como todos os contos do livro Passagem estreita, captura o leitor desde o início. Nesse, a narrativa é tecida em torno do  relato de uma mulher inconformada com a  forma do próprio corpo, por ver nele uma deformação, porém, essa deformidade somente  se dá na comparação com  outras mulheres.

    Ela confessa uma guerra constante com sua imagem, evitando fotos, espelhos e na recusa  de olhar para si mesma, por exemplo, na intimidade do banho. Em seu registro no conto, ela pontua diversos defeitos em si. Em contraposição, na imagem da professora que a acompanha, só percebe elogios: magra, linda, perfeita, de maneira que a atenção de todos se voltam para a professora,  principalmente na hora da apresentação. Assim, sempre que alguém a elogia ela julga que se trata de ironia, cuja intenção é tranquilizá-la a respeito da própria feiura. Dessa forma, o conto propõe várias questões, entre elas, o atendimento a um mundo em que os padrões de beleza ditam as regras, nas quais especialmente as mulheres precisam se encaixar, isto é, corresponder a certas características, como ser magra, loira e, de preferência, ter olhos verdes ou azuis. O conto propicia essa reflexão, suscitando-nos a pensar até que ponto isso é  medida para o bem-estar ou bem sentir. A sociedade, contudo, não leva em conta quantas pessoas são infelizes em função  desses padrões. A leitura do conto sensibiliza e faz perceber os desafios que ainda precisam ser superados, a começar por esse, deixar as pessoas serem felizes do jeito que elas são ou se sentem bem.

    O livro como um todo apresenta ao leitor menos experiente o desafio de pensar e entender a linguagem, mas as suas diferentes histórias contribuem como ponto de reflexão, portanto, ele torna-se uma leitura imprescindível, especialmente para os jovens.

     

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    Maria Eduarda da Silva Brito é aluna do 2° ano do Ensino Médio da escola Patriarca da Independência da rede estadual de Mato Grosso, no município de Tangará da Serra. Tem 16 anos e gosta de ler em seu tempo livre. Nos últimos meses, está se dedicando principalmente à literatura mato-grossense. 

     

     

    Comentário de Maria Cristina da Silva sobre o conto “Fia”

    O comentário a seguir sobre o conto “Fia” (do livro Passagem estreita) foi escrito e gentilmente enviado pela artista plástica Maria Cristina da Silva (Cris Silva). O desenho que ilustra esta postagem também é de autoria dela.

     

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    Ler o conto “FIA” foi como um golpe no estômago, muito dolorido. A autora nos coloca em contato com áreas da mente pouco exploradas, induz a questionar. Durante a leitura a falta de empatia e a aspereza sufoca, dá vontade de espernear. Lembro de climas vividos em alguma obra de Plínio Marcos. Sinto-me de mãos atadas. Necessito chacoalhar o narrador e convencê-lo a ouvir as próprias palavras, para ver se consegue se colocar no lugar da menina. Mas ele segue em suas descrições  cruéis. Os dois personagens que se relacionam com a heroína do conto são igualmente deploráveis e só resta ao leitor entrar na pele da criança renegada ao desamparo e olhar por seus olhos, que, apesar da dificuldade  em interpretação, ainda é capaz de, no seu íntimo, agradecer a parca parte desse latifúndio que recebe em vida.

     

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    Maria Cristina da Silva desenha desde criança. Estudou Artes Plásticas na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. Interessada por Cultura Afrobrasileira. Foi professora e atualmente trabalha em uma Biblioteca. Vive com sua filha adolescente e três gatinhos em Osasco, Grande São Paulo, Brasil.

     

    Comentário de Graziela Maria Lisboa Pinheiro sobre o conto “Fia”

    A professora escritora Graziela Maria Lisboa Pinheiro gentilmente enviou o comentário abaixo sobre o conto “Fia” de Divanize Carbonieri, presente no livro Passagem estreita (Carlini & Caniato, 2020). Para adquirir o livro: (https://loja.tantatinta.com.br/produto/passagem-estreita/).

     

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    Para começar, adorei o conto “Fia”, achei incrível. Mas além disso, vou destacar alguns aspectos para comentar. Um dos mais importantes é o quanto a gente quer continuar a ler algo que começou: isso se mantém firme no decorrer do texto. Eu li o conto inteiro e, para mim, essa vontade de continuar avançando esteve presente o tempo todo. A que se deveu tal vontade? Principalmente ao fato de eu querer ver aonde aquilo ia dar, por conta da dramaticidade da narrativa, da insistência no quanto a personagem é feia, no quanto ela não vale nada, no caos que ela vivencia.

    Prosseguindo, também é muito interessante a voz narrativa, que se dá em terceira pessoa, mas emitindo a própria opinião sobre a personagem. É curioso que a opinião da narradora é igual à opinião que a personagem tem de si mesma. A questão da narradora é muito intrigante porque você não conta, em momento algum, quem ela é e o que tem a ver com a protagonista. A meu ver, a voz narrativa se destacou de forma bastante positiva na trama.

    Percebi ainda que é um conto calcado em dois pontos principais. Primeiro, é uma história com começo, meio e fim, sem o ser exatamente, porque parece mais uma cena da vida dela, diferente, por exemplo, do conto “Correnteza”, também presente em Passagem estreita, que apresenta de forma mais concreta um começo, meio e fim. Em “Fia”, vemos apenas um fragmento, uma cena da trajetória da personagem naquele dia, mas é uma cena tão poderosa que justifica, em si, o narrar daquele episódio. Então, uma cena pode ser um conto: isso é algo que me chamou bastante a atenção.

    O segundo ponto é o caráter visual que percebo em suas narrativas de modo geral, é um poder de evocar sensações. Lendo “Fia”, consegui imaginar a protagonista andando por uma rua de uma grande cidade, um local de comércio popular, como o Brás em São Paulo, entrando num armarinho horrível, num dia de calor infernal. Sem você se demorar na descrição, foi sendo formada em minha cabeça essa imagem. Dessa forma, destaco esse leque de aspectos importantes na construção narrativa desse conto.

     

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    Graziela Maria Pinheiro Lisboa é professora, com doutorado em Estudos Linguísticos e Literários em Inglês pela Universidade de São Paulo, e escritora.

     

     

    Comentário de Tálita Fernanda sobre o poema “Serena”

    A estudante Tálita Fernanda enviou gentilmente o comentário abaixo sobre o poema “Serena” de Divanize Carbonieri, presente no livro Grande depósito de bugigangas (2018). Para ler o poema: (https://www.divanizecarbonieri.com.br/serena-poema/). Para adquirir o livro: (https://loja.tantatinta.com.br/produto/grande-deposito-de-bugigangas/).

     

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    O poema “Serena” de Divanize Carbonieri transmite a serenidade e a confiança como características importantes no relacionamento humano com os animais. A poesia realiza, entre o suspiro e o sussurro, a magia dos sonhos de um futuro mais feliz, quem sabe.

     

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    Tálita Fernanda é aluna concluinte do Ensino Médio da Rede Estadual de Ensino em Mato Grosso, mais precisamente, da Escola Patriarca da Independência, em Tangára da Serra.

     

    Comentário de Tereza Andrade sobre “Grande depósito de bugigangas”

    O comentário a seguir foi escrito pela editora Tereza Andrade, que o publicou em suas redes sociais e que gentilmente permitiu que ele fosse reproduzido aqui.

     

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    Desde o momento que abri o pacote trazido pelo correio associei a imagem da capa do livro, Grande depósito de bugigangas, ao primeiro Barateiro da Primavera de São José, sediado em Curralinho, do negociante forte, Seo Assis Wababa, marido de dona Abadia e pai de Rosa’uarda, eles todos turcos. Armazém grande, de tudo comerciavam, conforme descrito no Grande Sertão: Veredas, JGR. O livro de Divanize Carbonieri me acompanha já há alguns meses, sempre leio poesia antes de dormir e os armazéns se misturaram com as vendas da minha infância e a Loja do Allaadim do último livro que li, O livro negro, do Orhan Pamuk.

    Ledo engano. Os poemas de Grande depósito de bugigangas são apenas uma imagem que sintetiza o sentido do livro. Ele trata das coisas vivas. Aqueles instantes capturados pelas sensações no corpo. Corpo desengonçado, desgraçado, no meio uma chaga; lampejo de pensamento, sopro de respiração, cenho febril, gota gorda de suor pingando, cabeça no plexo, cansaço; mordaça que trava o verso, pulsar ávido da mão, lembrança que alucina; pedaços de alegrias rompidas, sufoco escapar pelas lacunas e inundar o fosso. Bala no coração cambaleia. Dor de um é faina de outros.

    Vivos também são os gafanhotos, carcaça verde; gatos de língua rugosa acariciam o espírito; lobos em matilha protegem velhos, crianças e jovens; Sucuri hiberna na água; crina de égua é trançada na invernada; gata, pantera negra tem orelha prateada e as formigas são voadoras. Periquitos, cachorros e urubus convivem no mesmo espaço com crianças sem casa após um despejo.

    Vivas são as árvores e plantas: Gérberas e margaridas, girassóis e petúnias; Mexerica, bergamota, mandioca e maxixe. Palavra é lavoura. Quanto mais se lavra, mais dela se retira a crosta. Cachos de açucena. Figo pendurado no ramo. Pacifico.

    Como pode um livro tão pequeno contar uma história tão grande?

    E se fossemos uma indígena, inconteste alegria, uma iara fagueira, algas nas madeixas?
    Uma Janaína tupinambá, sentinela da aurora? Uma Valquíria guerreira? Ou a moira anciã, fiandeira de fados, cerzideira de afetos, campeã dos desvalidos?

    Do que precisaríamos para viver?

    Certamente não de vidros, cobres, fuzis, e-mails, trilho e vagão de trem, parafuso, sarrafo e prateleira; não de bule branco, tampo de laca, tabuleiro de gamão, mesa de mogno, bandeja carmim, vitrais em palacetes; nem do cobre com azinhavre, vinho tinto, azeitonas, picles e azeite. Não de joias lapidadas, caixas de brinquedos, frascos de alfazema, camareiras, tiras de borracha, lâmpadas incandescentes, hastes de tungstênio, lâminas, tintas, grafites e asfalto. Não de stents de pontes de safena ou de ogiva termonuclear.
    Mas isso foi antes dos príncipes tiranos chegarem, quando abatiam e caçavam animais, tombavam árvores gigantes. Roubaram o ouro, minérios e seguem roubando: águas, rios, terra.

    A nós, viventes, palafitas e barracos em corpos frágeis, restam bugigangas. Badulaques: crucifixo, amuleto, mantra de prosperidade, padroeiro protetor. Não: o escapulário no cordão não adianta nada.

    É uma sabotagem para o espírito inventariante catalogar. Não quero tudo. Quero uma parte, apenas uma fração, mas o outro tem o todo. As portas se cerram atrás de outras. Bastava o corredor. Os triunfantes desfilam, alegre comitiva, toda prata e ouro rebrilham. Nós somos os derrotados e esquecidos.

     

    Empório

    no empório de sonhos enfeixados
    estão os mascates e os compradores
    barganhando itens enferrujados
    produtos fajutos de contrabando
    espólios de incontáveis pelejas
    arrancados dos campos de batalha
    e dos corpos dos inimigos derrotados
    despojos de guerras sanguinolentas
    agora emperrados em gôndolas
    desse grande depósito de bugigangas
    ilusões empoeiradas à escolha
    de todos os catadores de destroços
    que emprestam esforços
    para a recolha dos cacos de sonhos
    que serão partilhados por loucos
    e sãos até que se pereça o tempo.

    Divanize Carbonieri
    Grande depósito de bugigangas
    Editora Carlini Caniato, 2018

    (https://loja.tantatinta.com.br/produto/grande-deposito-de-bugigangas/)

    Quase tudo que compõe o texto foi retirado do livro. Apenas costurei uma síntese para mim, para capturar melhor o que dele está comigo.

     

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    Tereza Andrade é bacharel em direito e publisher Lamparina (http://www.lamparina.com.br/).

     

     

    Seriguela (poema)

    O poema “Seriguela” de Divanize Carbonieri faz parte do livro A ossatura do rinoceronte, que pode ser adquirido aqui: (https://www.editorapatua.com.br/produto/112588/a-ossatura-do-rinoceronte-de-divanize-carbonieri).

     

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    SERIGUELA

     

    se na seiva da árvore de seriguela

    existe na verdade um sangue valente

    que avança pelos veios aos gorgotões

    na gente sã e azeitonada dos sertões

    saraiva por dentro a própria lava ardente

    fazendo ferver a saliva na goela

    o suor valioso brota das espáduas

    de quem empurra a pá na terra endurecida

    os merecedores terão seu descanso

    mesmo que tudo ainda pareça sem senso

    há de ter boa paga para tão dura lida

    alegre refrigério para penas tão árduas

     

    Comentário de Carlos Machado sobre o livro “Passagem estreita”

    O comentário a seguir foi redigido pelo escritor Carlos Machado sobre o livro de contos Passagem estreita (Carlini & Caniato, 2019) de Divanize Carbonieri.

     

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    Seus contos são muito bem escritos, domínio linguístico total, fluidez. Lindo. Imagens fortíssimas, claras, poéticas, bonitas. “Tramas” é perfeito. Lindo. Gosto muito quando você é menos engajada (mas isso é um gosto pessoal), embora concorde com a necessidade desses textos, importantíssimos para todos nós: os políticos (contra essa barbárie que vivemos), os que discutem o papel da mulher e do homem, os que explicitam as classes sociais e as disparidades econômicas, culturais etc. (“Estratagema” é incrível).

    Uma observação: meus estudos em literatura sempre foram (e são) sobre o espaço. Me interesso pelo “não-lugar” (Marc Auger), pelo espaço psicológico, espaço de trânsito etc. Uma cidade (no meu caso Curitiba) mítica. Uma geografia psicológica/temporal/não definida por espaços dos mapas oficiais… ou seja, sua Cuiabá é o que há de melhor nesse livro. A forma como você lida com os espaços e tempo. Maravilha, Carbonieri. Feliz de ter “descoberto” sua literatura, finalmente.

     

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    Carlos Machado nasceu em Curitiba, em 1977. É escritor, músico e professor de literatura e línguas estrangeiras. Publicou os livros A Voz do outro (contos 2004, 7Letras), Nós da província: diálogo com o carbono (contos 2005, 7Letras), Balada de uma retina sul-americana (novela 2006, 7Letras), Poeira fria (novela 2012, Arte & Letra), Passeios (contos 2016, 7Letras), Esquina da minha rua (novela 2018, 7Letras) e Era o vento (contos 2019, Ed. Patuá). Tem contos e outros textos publicados em diversas revistas e jornais literários (Revista Oroboro, Revista Ficções, Revista Ideias, Revista Philos, Revista Arte e Letra, Jornal Rascunho, Jornal Cândido, Jornal RevelO, Gazeta do Povo etc.), participou das antologias “48 Contos Paranaenses”, organizada por Luiz Ruffato e “Mágica no Absurdo”, organizada para o evento “Curitiba Literária 2018”, curadoria de Rogério Pereir. Integrou a lista de finalistas do concurso Off Flip 2019 com o conto “Renúncia”. Fundou a banda Sad Theory, participando dos discos The Lady and the torch (2002), A Madrigal of sorrow (2004), Biomechanical (2006) e Descrítica patológica (2012). Em 2008, iniciou carreira musical solo, rendendo os álbuns Tendéu (2008), Samba portátil (2010), Longe (2012), o DVD ao vivo (Teatro Guaíra) Longe e outras canções (2012), o trabalho em espanhol Los amores de paso (2013), Bárbara (2015) e DESencontro (2017), seu disco mais recente.

    Comentário de Roberta Gasparotto sobre o conto “Mesa-redonda”

    O comentário a seguir foi enviado pela escritora Roberta Gasparotto sobre o conto “Mesa-redonda”, presente no livro Passagem estreita (Carlini & Caniato, 2019), de autoria de Divanize Carbonieri.

     

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    “Mesa-redonda” é um conto forte, sensível e, principalmente, necessário. Não há como, sendo mulher, não nos identificarmos com  o profundo sentimento de rejeição da protagonista, mesmo se for pelo seu avesso: que mulher nunca se flagrou fazendo sacrifícios e perdendo um pouco de si, para agradar aos ditames alheios? Ao mesmo tempo, se formos suficientemente sinceras, além de nos identificarmos com a protagonista, também nos identificaremos – ai, que medo – com os antagonistas, que julgam, e são cheios de preconceitos. Nós todos, tão cheios de preconceitos. Sofrendo e fazendo sofrer. Tantas vezes oprimidos, tantas vezes opressores. E, para evitar cairmos nessa armadilha, ou, melhor dizendo, para sairmos dela mais cedo, já que a queda é inevitável, nada melhor do que a constante reflexão sobre os moldes que nos querem enfiar goela abaixo. Conto não apenas necessário. Urgente!

     

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    Roberta Gasparotto é gaúcha de Passo Fundo, mas reside em Brasília desde os seus quatro anos de idade. Formou-se em Psicologia e  trabalha com crianças e adolescentes vítimas de violência. É pós-graduada em Língua Portuguesa, com ênfase em produção textual, já intuindo, talvez, que seguiria no mundo da escrita. Em 2019 publicou mil mulheres cabem em mim, um romance autobibliográfico. Atualmente divide seu tempo entre trabalho, filhos e os escritos que publica nas redes sociais, como uma forma de partilhar seus anseios, angústias e questionamentos.  Além de crônicas, poemas e contos sobre assuntos diversos, possui mais de duzentos e cinquenta poemas com nomes de mulheres e está sempre aberta para novas parcerias poéticas.

     

    Uma resenha de “A ossatura do rinoceronte” por Fernando Andrade

    A resenha a seguir foi escrita por Fernando Andrade sobre o livro de poemas A ossatura do rinoceronte (Patuá, 2020) de Divanize Carbonieri, que pode ser adquirido aqui: https://www.editorapatua.com.br/produto/112588/a-ossatura-do-rinoceronte-de-divanize-carbonieri

     

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    Livro de poemas A ossatura do rinoceronte mistura de maneira harmoniosa  a tessitura do narrar e poetizar com a dinâmica social dos afetos, nos espaços. 

     

    Qual seria o espírito de uma dinâmica de uma colméia? Além de uma notável organização social, o que vemos externamente na “casa”, não necessariamente parece ser o que vai lá dentro. Esta posição entre pontos de vistas ao internalizar na nossa mente sobre o lugar do pertencimento, ao mesmo tempo, uma poética do trabalho? Abelhas produzem mel, na mesma interioridade do pertencer à casa, quando não temos uma questão nítida,  as paredes do hexágono dão um tipo de reflexo multisensorial (escrita multisensorial facetada).

    Diferentemente de nós humanos que temos lar longe da força de trabalho em um ambiente focado para este sistema operacional. A dinâmica das relações sociais foi muito bem exposta num filme, espanhol, Espírito da Colméia, que usava as abelhas e suas colméias como uma bela metáfora de como os afetos e sentimentos se motivam perante o tipo de relação social e também política que temos ao ver o que nos faz por dentro e num exercício dialético de como produzimos ações-afetos para  externalizar o mundo à nossa volta. Pensei muito nesta funções cognitivas ao ler o novo livro de poemas da poeta Divanize Carbonieri, A ossatura do Rinoceronte, editora Patuá, 2020.

    Ao meu ver, há no livro um execício dialético do cotidiano, mas numa espécie de entranha filosófica, onde o texto e seus sentidos se produzem não na latência superficial da leitura-significação, mas na velocidade das sensações do deslize espacial entre linhas verticais versos-palavras, onde para cada freaseado poético, ali, existem inúmeras caixinhas de surpresas semânticas. Dentro de cada poema há uma íntima ligação entre forma e pensamento que ora se estilhaçam ou se concentram em  imagens sonoras e visuais que nunca são nucleadas.

    Pensei meu Deus, com a poeta, faz isso? Manter todos os elos aos links, como um hipertexto de som, ritmo, dinâmica social, e reflexão sobre cada área humana do comportamento ou do saber, mas demolindo uma ideia de coesão e unidade textual. O corpo que nos forma depende de como a estrutura dos ossos acontece em cada espécie fisiológica de bicho, gente. Os alvéolos da colméia em sua ossatura, imagetizando o espaço coletivo cênico que fazem dos favos de mel, uma linda carnalidade e ao mesmo tempo – reluzente sonora e vibrátil.

     

    Significado de Alvéolo (dica de filme O espírito da colméia)

    substantivo masculino Cada uma das cavidades que formam o favo de mel das abelhas. Cavidade dos ossos maxilares em que se engasta a raiz do dente.

     

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    Fernando Andrade, 51 anos, é jornalista,  poeta, e crítico literário. Faz parte  do Coletivo de Arte Caneta Lente e Pincel. Participa também do coletivo Clube de leitura, no qual tem dois contos em coletâneas: “Quadris” no  volume 3 e “Canteiro” no volume 4 do Clube da leitura.   Colabora na revista literária Literatura e fechadura com resenhas de livros e cd’s e entrevistas com escritores, poetas e músicos. Tem dois livros de poesia pela editora Oito e Meio, Lacan Por Câmeras Cinematográficas e Poemoemetria, e Enclave (poemas) pela Editora Patuá.   Seu poema “A cidade é um corpo” participou da exposição Poesia agora em Salvador e no Rio de Janeiro.  Lançou, em 2018,  seu quarto livro de poemas,  a perpetuação da espécie pela Editora Penalux. E acaba de lançar, no final de 2019, seu primeiro livro de contos Logaritmosentido, editora Penalux, que pode ser adquirido aqui: https://www.editorapenalux.com.br/loja/logaritmosentido

     

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